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Corpo Atravessado
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Corpo Atravessado
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Existe algo que ecoa para além do conhecimento e eu escuto e acredito. É algo no corpo que arquiva uma memória, uma cultura que prática um jeito e oportuniza situações. Como explicar o Samba? É um fato. Multidimensional, experimental e espiralar. E eu sei porque eu ouvi dizerem, porque vivemos, está espalhado nos territórios, pixado nas paredes. Você pode não saber como, mas tá aí, contigo, pra todo mundo ver. Penetrado na memória, atravessou gerações, influenciando as dinâmicas da realidade de hoje.
Eu sou do Rio, nossa artista é do Rio, e talvez isso deixe as influências mais nítidas de um lugar forjado à base de samba e as fronteiras muito bem delimitadas por tretas, traumas e trambiques. Mas ainda assim eu acredito que o legado do samba é civilizatório.
Tem conversas com o mar que nem as ondas vão poder trazer.
“Corpo Atravessado” é a primeira exposição virtual da Galeria de Aleatoriarte com Alessandra V Santhos. Multiartista e Arquivista que usa da fotografia, colagem, desenho, escrita, pixo, pintura e performance um acervo de memórias e trabalhos para ecoar do tempo suas verdades Samba. Reunindo 10 trabalhos da artista entre 2022-2025, a exposição expande o tempo e a tela com Alessandra se inscrevendo em sua própria travessia do que é ser um corpo no mundo.
Boa exposição.
Rudhrra Dikaralha
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“Um-e-dois”;
um pé começa atrás alternando o peso entre as pernas e transferindo o ritmo com o quadril relaxado, então, a placenta germina em água e nasce o corpo atravessado.
Em barro, em jarro, em capa, em casca, em escama, em Samba!
Corpo companhia, Corpo território.
Corpo que sorri, dança, cativa y chora.
Corpo que rasteja, nada, voa, caminha y rola.
Corpo que sente,
Espelho que reflete.
Corpo membro - norte, sul, leste, oeste.
Corpo tempo -
Passado, futuro, presente.
Corpo poente, Corpo nascente.
Corpo, Avó, Mãe e Filha.
Corpo cura, corpo ferida.
O corpo secular atravessa a estação,
corpo inverno, corpo verão.
O Corpo Cidade atravessa a estação,
corpo de trabalho, corpo de proteção.
Corpo criador,
Corpo criatura.
Corpo corta,
Corpo sutura.
Corpo Criança, andança, aventura.
Corpo caça,
Corpo recua.
Travessia sólida, líquida, gasosa, sublimou.
Corpo presa, corpo predador.
O corpo carne lançado ao Mar, pôs a Alma a boiar.
Não tendo asas, Voou. Não tendo cauda, nadou.
Não havendo música, Sambou!
A Alegria faz do ritmo, canção. Do corpo, vergalhão. Perfura atravessado as costuras da realidade e de passo-em-passo faz seu gingado.
Transcreve em poesia o rabisco da vida e entrega com generosidade a Noite e o Dia.
Érick Ribeiro Monteiro
🃜 🃚 🃖 🃁 🂭 🂺
o samba mata a tristeza da gente. 2024.
I
o pai me disse que a tradição é lanterna
Vem do ancestral, é moderna
Bem mais que o modernoso
E aí é o meu coração que governa
Na treva é a luz mais eterna
O Todo Mais Poderoso
Também me disse
Com aquele jeito orgulhoso
Que o samba é mais que formoso
Que ninguém lhe passa a perna
É a marola que vira o mar furioso
Netuno misterioso o tesouro das cavernas
A jura é pra quem rezar
A reza é pra quem jurar
A alma pra sempre é do criador
Maré muda com o luar
Futuro é pra quem lembrar
Se é isso que o pai ensinou
Cabô.
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Corpo atravessado, 2024.
Cuida bem da tua forma de ser, 2023.
Confrontos, 2023.
Trabalho, 2024.
Tem uns dias que eu acordo pensando e querendo saber, 2024.
voos sobre liberdade, 2023.
Felicidade, 2023.
Na Terra, 2022.
Sou chamada por Alessandra que atravessou com Maria Lourdes y Adalgiza fronteiras interiores de periféricos espaços para desde muito antiga alma voltar e circular em novos antigos centros do seu futuro tempo enveredando na vida com olhos e ouvidos atentos em um corpo embalado por rebeldia respeito e conservação de velhos e velhas entes ancestrais dissipados em consanguíneo rastro de estrelas matos e grãos de areia formando relações por afinidades firmadas em coisa séria de arte festa alegria. Apadrinhada na malandragem de encanto por educação sem pacificação na verdade que sempre carregou sons imagens rabiscos cores tetos e humildade que é preciso ter cuidado ao caminhar com ela, irmão.
Alessandra V Santhos
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Agradecimentos
Shirlene, Alexandre, Pedro, Rudhraa, Erick, Mysteryo, Bianca, Nelson, Rhuann, Liana, Kora, Ceci. Nycole. Valéria. Milleny. Laura. Arthur, Shophia. Kauê. Ancestralidade. Artistas da cultura popular brasileira.
Referências
Curadoria e processos artisticos - Alessandra V Santhos
BEN, Jorge. Errare humanum est. In: A tábua de esmeralda. Rio de Janeiro: Philips Records, 1974. Faixa do álbum.
D2, Marcelo; PEIXOTO, Marcelo (Marcelo D2); CORCOS, David; SANTOS, José Inácio; ZÉ CATIMBA. Re-Batucada. In: À Procura da Batida Perfeita. Rio de Janeiro: Sony BMG Music Entertainment, 15 abr. 2003. Faixa do álbum. Composição: Marcelo D2, David Corcos, José Inácio dos Santos, Zé Catimba e João Nogueira.
LUZ, Moacyr; BLANC, Aldir; DA VILA, Luiz Carlos. Cabô, Meu Pai. In: Samba da Cidade. Rio de Janeiro: gravadora não informada, 2003. Faixa do álbum. Compondo: Moacyr Luz, Aldir Blanc e Luiz Carlos da Vila.
NOGUEIRA, João; ZÉ CATIMBA. Do Jeito Que o Rei Mandou. In: Eu Sou o Samba. Rio de Janeiro: EMI Records Brasil Ltda, 1974. Faixa do álbum. Composição: João Nogueira e Zé Catimba.
RUIZ, Tulipa. Aqui. In: Tudo tanto. São Paulo: Deckdisc, 2012. Faixa do álbum.
Texto Curatorial - Rudhrra Dikaralha
MARTINS, Leda Maria. Performances do tempo espiralar: poéticas do corpo-tela. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021.
LUNA, Luedji. Um corpo no mundo. In: Um corpo no mundo. São Paulo: YB Music, 2017. Faixa do álbum.